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Doença Celíaca

DOENÇA CELÍACA - UMA RECENTE REVISÃO

 

Doença celíaca, também conhecida como espru celíaco ou enteropatia sensível ao glúten, está caracterizada pela má absorção resultante da injúria inflamatória da mucosa do intestino delgado após a ingestão do glúten do trigo, centeio, aveia, cevada e malte. Existe melhora clínica e histológica (biópsia) com uma dieta rigorosa isenta de glúten, e reincide quando o glúten dietético é reintroduzido. Relatos da Doença Celíaca ( D.C.) datam no passado no 1º século a.C. No entanto, somente em 1940  a ligação com a ingestão do glúten foi estabelecida por Dick, pediatra holandês, que observou a melhora da condição de crianças com D.C.  durante a escassez de comida da 2ª Guerra Mundial e somente reincidiu após a restauração dos suprimentos dos cereais. Até recentemente a doença celíaca era considerada incomum nos EUA, com prevalência de 1:3000. No entanto, testes sorológicos acurados tem mostrado que a D.C. é relativamente comum, afetando 1:120 a 300 pessoas na Europa e EUA..

A verdadeira epidemiologia da D.C. é difícil averiguar, porque  muitos pacientes possuem sintomas atípicos ou nenhum deles. A maior prevalência relatada está no oeste da Europa e em países com imigrantes europeus, como América do Norte e Austrália. É também encontrado no nordeste da Índia e pode estar subdiagnosticada na América do Sul, África do Norte e Ásia. É rara entre afro-caribenhos puros, chineses e descendentes de japoneses.

A D.C. resulta de uma resposta imune inapropriada mediada pelas células T induzida pela ingestão de glúten em pessoas geneticamente predispostas. A importância  dos fatores genéticos está relacionada aos  10% de prevalência da doença entre os parentes de 1º grau. 

-          EM CRIANÇAS: Classicamente, apresenta-se entre 4 e 24 meses de idade, com crescimento prejudicado, diarréia e distensão abdominal. Vômitos ,constipação,palidez e edema são  menos comuns.Pacientes com D.C. severa e não tratada podem apresentar pequena estatura, atraso puberal, anemia por deficiência de ferro e folato, e raquitismo. A  D.C. atípica  é usualmente visto em  crianças mais velhas e adolescentes que não possuem características de má absorção. No entanto, a dor abdominal,  estomatite freqüente, artralgia, defeitos no esmalte dental podem levar estas crianças a distúrbios de comportamento, como : depressão, irritação e pobre desempenho escolar.

-          - EM ADULTOS :O diagnóstico de D.C. em adultos está aumentando cerca de 20% pessoas com mais de 60 anos. Em muitos não há história de sintomas, sugerindo que D.C. também pode só se desenvolver na idade adulta. Aproximadamente 50% dos pacientes adultos não possuem diarréia clinicamente significativa. Anemia ferropriva tem sido a apresentação clínica mais significativa em adultos com D.C.  Outras manifestações extraintestinais que estão aumentando o seu reconhecimento incluem fratura óssea, infertilidade, síndromes psiquiátricas e várias   condições neurológicas (neuropatia periférica, ataxia e convulsões).

 

FONTE:

- The New England Journal of Medicine, 2002;

      - Simpósio sobre D.C. – Ganepão 2002;

      - Acelbra .

    ESCRITO POR : Eliana Barbosa – Nutricionista do HIJG e membro do conselho consultivo da Acelbra –SC.

 

 

CONDIÇÕES ASSOCIADAS:  Muitas condições ocorrem em associação com D.C., como:

- Dermatite herpetiforme , caracterizada por lesões de pele sobre a superfície dos braços,  pernas, 

   tronco, pescoço e couro cabeludo.

- Doenças autoimunes, especialmente diabetes mellitus tipo 1 e tireoidite autoimune, além da

   síndrome de down e deficiência seletiva de IgA.

DIAGNÓSTICO :A disposição de alta sensibilidade e marcadores sorológicos específicos facilitaram muito o diagnóstico da D.C. Estes testes sorológicos são utilizados para avaliar pacientes com suspeita da doença, para monitorar adesão ao tratamento e resposta à dieta sem glúten. São eles:

- Anticorpo anti-endomísio IgA e anticorpo transglutaminase tecidual (são mais específicos),

- Anticorpo anti-gliadina IgA e IgG.

         A deficiência de cálcio, folato, ferro e vitamina D podem ser encontrados em pacientes com D.C.            

         Os testes de absorção intestinal como : D-xilosemia e testes de gordura fecal, só irão auxiliar  em            

         casos de lesão intestinal severa, por isso não são ferramentas tão importantes no diagnóstico de 

         D.C. A biópsia do intestino delgado mantém-se como “padrão ouro” para o diagnóstico da D.C.

    TRATAMENTO :Devido a dieta isenta de glúten , ser mais onerosa que a dieta normal e poder limitar 

    socialmente os pacientes, principalmente crianças e adolescentes, ela nunca deveria ser recomendada

          sem a confirmação do diagnóstico da D.C.O glúten é o maior composto protéico dos seguinte cereais:

          trigo, centeio, cevada( malte) e aveia, e é o principal responsável pela textura dos pães, bolos e massas

          em geral. Sua estrutura química contém uma fração tóxica, que é a responsável pela lesão intestinal.

          Ela é específica para cada cereal: no trigo é a gliadina, no centeio é a sacalina, na cevada é a hordeína e

          na aveia é a avenina. Sendo assim, todos os produtos que contenham estes cereais devem ser evitados.

          Na realidade, a completa eliminação do glúten é muito difícil de atingir e manter. O glúten está

          presente na maioria dos alimentos processados porque a farinha de trigo é amplamente utilizada como  

          espessante em muitos produtos comerciais. Listas de alimentos isentos de glúten só devem ser

          utilizadas em países onde foram compiladas, pois produtos de uma mesma lista, podem ser isentas de

          glúten em uma região e não ser em outras. A instituição de dietas eficazes isentas de glúten requer

          extensivos e repetidos aconselhamentos  do paciente pelo médico e nutricionista, além de rótulos

          legíveis e muita motivação. O símbolo de isento de glúten é amplamente utilizado por fabricantes de

          alimentos na Europa, mas infelizmente, menos pelos norte e sul americanos.

Produtos lácteos e seus derivados devem ser evitados inicialmente porque pacientes com D.C. não tratada freqüentemente apresentam uma deficiência secundária de lactase (enzima que degrada a lactose). Depois de 3 a 6 meses de tratamento, estes produtos podem ser reintroduzidos. Aproximadamente 70% dos pacientes apresentam melhora dos sintomas após 2 semanas de dieta isenta de glúten. Se um paciente não responder à dieta, a causa mais comum é a adesão incompleta do tratamento. Sintomas persistentes podem ser causados pela coexistência de desordens como síndrome do cólon irritável, intolerância à lactose e outros.

Todos os pacientes com novo diagnóstico de D.C. que apresentem evidência clínica de má-absorção devem receber inicialmente, além da dieta isenta de glúten , uma suplementação de vitaminas e minerais, e se necessário, cálcio e vitamina D. 

Em um estudo de adesão severa à dieta sem glúten, houve redução do risco de todas as doenças associadas ao câncer, incluindo linfoma intestinal.

Sendo assim, caros colegas celíacos, parece muito prudente que devam seguir rigorosamente suas exclusões alimentares, para que SEM GLÚTEN vocês possam usufruir suas vidas com menos riscos e MAIS SAÚDE !!!!

 

   RECOMENDAÇÕES DIETÉTICAS PARA PORTADORES DE  DOENÇA CELÍACA

 

  • Evitar todos os alimentos que contenham trigo, centeio e cevada, malte e aveia;

  • Evitar inicialmente, todos os alimentos que contenham lactose;

  • Procurar por alimentos que contenham o símbolo de isenção de glúten;

  • Ler com atenção todos os rótulos e não consumir os produtos que contiverem glúten ou de composição desconhecida;

  • Certificar-se da ausência de glúten em medicações, aditivos de alimentos, emulsificantes e estabilizantes;

  • Utilizar os seguintes substitutos dos cereais para uso em preparações: farinha e creme de arroz, fécula de batata , polvilho doce e azedo, araruta, farinha de milho e de  soja, farinha de mandioca,amido de milho e fubá.

  • Sempre que houver dúvidas, checar os ingredientes com o fabricante pelo 0800;

  • Confeccionar as preparações sem glúten em horários e utensílios exclusivos , para evitar a contaminação  por glúten;

  • Conservar os produtos sem glúten congelados, para preservar a umidade dos mesmos;

  • Orientar familiares e amigos sobre a D.C. e seu tratamento ( dieta), e convidá-los para participarem das reuniões da associação, para maiores esclarecimentos e motivação.

FONTE:

- The New England Journal of Medicine, 2002;

      - Simpósio sobre D.C. – Ganepão 2002;

      - Acelbra .

     ESCRITO POR : Eliana Barbosa – Nutricionista do HIJG e membro         do conselho consultivo da Acelbra –SC.




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